terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Boa Noite Rio Una

Venha participar conosco desse evento e deliciar-se de uma boa música, ao cair das tardes, às margens do Rio UNA.
A companhia de seus Familiares será gratificante.
Música é CULTURA!!!

sexta-feira, 2 de setembro de 2011

CICLO DE DEBATES ACADÊMICOS MOSTROU A OBRA DE JORGE AMADO PELOS OLHOS DO REALISMO MÁGICO

Professor Arléo e Professor Araken
Quem esteve presente na noite de abertura do I Ciclo de Debates Acadêmicos, promovido pela Academia de Letras de Ilhéus, na última sexta-feira, dia 26/08, fechando o "Agosto de Jorge Amado", se deleitou com uma palestra bem humorada, com profundos ensinamentos e uma visão diferenciada da obra de Jorge Amado. Se, por um lado, algum dos presentes ainda não havia lido um dos livros de Jorge, certamente a primeira coisa que fez ao chegar em casa foi pegar "Capitães da Areia", "A morte e a morte de Quincas Berro d´água", "Mar Morto", "Jubiabá" ou "O País do Carnaval", por outro, quem já leu toda a obra, saiu com desejo de ler tudo de novo.








A assertiva tem uma razão. A maneira com a qual o palestrante da noite, o historiador e escritor, Araken Vaz Galvão, conduziu o discurso, fez-nos viajar pelos caminhos tortuosos da civilização cacaueira, passando por personagens revolucionários e aventuras que beiravam o realismo mágico, ou até mesmo, fantástico, recheado nas obras de Jorge Amado. As semelhanças do escritor valenciano, com o escritor grapiúna fortaleceram ainda mais o debate. Ambos foram criados em roças de cacau, tiveram pais latifundiários e foram exilados pelo regime militar.


Araken também lançou dois livros.




Suas palavras, carregadas de entusiasmo e amor pátrio, nos lembrava o personagem Policarpo Quaresma para quem tudo do país é superior, chegando até mesmo a "amputar alguns quilômetros ao Nilo" apenas para destacar a grandiosidade do Amazonas. Esse valenciano, por opção, nascido em Jequié, no distrito de Aiquara, em 1936, possui formação em História (Investigación histórica), Instituto de História, Faculdad de Humanidades y Ciências, Universidad de la República Oriental del Uruguay (três anos) e Escuela de Bellas Artes (também três anos), do mesmo país. Possui ainda curso de cinema (um ano) da Cinemateca Uruguaya, Montevidéu. Na capital uruguaia trabalhou como jornalista free, em alguns jornais daquela capital. Passou pela Argentina, Paraguai e Bolívia, tendo residido no Peru, onde realizou quatro filmes de curta-metragem e um longa-metragem, Yawar Mayu – primeiro filme brasileiro falado em espanhol e com elenco e artistas dos dois países. Residiu no Equador – Guayaquil e Quito – onde trabalhou na Televisão.



Atualmente, é membro do Conselho Estadual de Cultura e Presidente do Fórum das Academias de Letras do Estado da Bahia.



O I Ciclo de Debates Acadêmicos contou com o apoio da Fundação Cultural de Ilhéus e do Ilhéus Praia Hotel. É coordenado pelo presidente Arléo Barbosa e produzido pelo professor Pawlo Cidade.



Estiveram presentes, além dos convidados, os acadêmicos Gerson dos Anjos, Hans Schaeppi, Dorival de Freitas, Neide Silveira, André Rosa, Arléo Barbosa, Eliane Sabóia e Pawlo Cidade.



Visite o Blog de Araken Vaz Galvão

sexta-feira, 22 de julho de 2011

Alfredo Gonçalves Lança OS ENCANTOS DA MORTE!!

Alfredo Gonçalves de Lima Neto, médico por profissão, artista da palavra por desígnio dos deuses (e quiçá com um pouquinho de força dos demônios também), nasceu em uma madrugada, possivelmente, chuvosa – daquelas de tempestades que, assustando a quem é surpreendido nas ruas, anunciam os grandes cataclismos –, já que a maioria das crianças soe escolher as horas mais insólitas para vir à luz, imagino que isso sucedeu com ele que, também por vocação dos deuses (ou dos...), já veio ao mundo fazendo travessuras.

No entanto, dizia eu que a possível tormenta da qual falava, supondo ter ele vindo ao mundo naquela noite, ao ter as mesmas características das que pressagiam desgraças, ironicamente trouxe um fato benfazejo. Um menino que, se poderia dizer, era antípoda do personagem das histórias infantis, uma vez que não se negou a crescer, sendo que houve apenas uma semelhança com aqueloutro, posto que Alfredo, ao se fazer homem, em espírito, permaneceu eternamente criança, já que, para ele, a vida é tão-somente um ato lúdico, só valendo a pena vivê-la com ajuda de muito riso, brincadeiras, gracejo, festança, pilhéria, caçoada, folgança, galhofa, zombaria e, consequentemente, muito humor.

Não sei se ao nascer, algum anjo torto, daqueles que vaticinaram a Drummond, o fado de “ser gauche na vida”, auguraram-lhe destino semelhante. Sei, contudo, que o dotaram de uma etérea sensibilidade, de uma honestidade ilibada e de um espírito de companheirismo ímpar. Tudo isso, porém, repleto de ironia, de zomba, diria mesmo que até de certo espírito de galhofa, características as quais podem parecer aos desavisados coisa de pessoa que não leva nada a sério.

Ledo engano.

Alfredo, em sua aparente adolescência eterna, é sério e sisudo. Sua obra literária assim o prova. Um dos seus temas favoritos é o último ato da vida, conforme podemos constatar neste “Os Encantos da Morte”, um livro primoroso sob todos os sentidos. E esse primor caracteriza-se pela riqueza da linguagem, pela fina ironia do humor, pelas sutilezas das metáforas, pela trama bem urdida e pela elegância verbal.

Há um lugar-comum – do tipo desses que aparecem nos pára-choques dos caminhões – relacionado com os médicos, o qual reza: “Por lidar tanto com a morte, talvez seja o que melhor saiba lidar com a vida”. Aplicando-o ao escritor Alfredo, eu diria que ele por trabalhar literariamente com o lado absurdo e contraditório da vida – e sua obra é a melhor prova disso –, melhor consegue brincar de forma magistral com a morte.

O leitor sensível, ao adentrar nas páginas deste livro, constatará que essas palavras são o retrato vivo sobre um escritor que consegue transformar em fina ironia – às vezes com laivos de zombaria e sarcasmo – as chamadas tragédias da vida.



Araken Vaz Galvão

terça-feira, 12 de julho de 2011

Convite Para Projeto Uma Prosa sobre Versos


Bom dia!


Temos a imensa satisfação de convidar para o projeto Uma Prosa sobre Versos, que acontecerá nesta sexta-feira, às 19h30min, no Auditório Municipal de Maracás, com o poeta Alesandre Bonafim.

Vamos celebrar a poesia brasileira!

Agradecemos ao convite e felicitamos pela iniciativa.

sábado, 9 de julho de 2011

Mínima Enciclopédia - Soteropolitano

Baiano de nascimento e coração – até um pouco fanático, ainda que fanatismo seja perigoso, mas no bom sentido ou como força de expressão, imagino que, tudo bem – sempre tive curiosidade em saber por que aqueles nascidos na cidade do Salvador são chamados de soteropolitanos, mas, inexplicavelmente, um preguiça macunaímica – se me permitem o canhestro neologismo – impediam-mo.

Talvez a preguiça tivesse seu epicentro no diabinho que todos temos (acho!) no inconsciente, que estava sempre a dizer-me: Não tens nada com isso. Nasceste em Jequié. És, pois, jequieense. Mas eu sabia que essa era uma informação errada ou equívoca. Nascera, em 1936, no município de Jequié, era verdade. Como também era verdade que aquele meu nascimento dera-se no então distrito de Aiquara, mais precisamente na fazenda Santa Maria, que ficava situada próxima ao povoado de Pulga do Campo. Se toda essa complicação para se saber onde um cidadão brasileiro/baiano nascera fosse pouco, Aiquara emancipara-se durante a ditadura, época em que criava-se municípios – exclusivamente para dar mando a apadrinhados – cujo destino era viver de uma única arrecadação: aquela que vinha de um fundo federal criado para sustentar municípios que não se sustentavam. No caso, nas próprias pernas.

Em busca do lugar onde nasci, estive em Aiquara, o lugar continuava praticamente a mesmo de quando eu tinha dez, doze anos. Não mudara nada. Pacata, população escassa de boa gente trabalhadora. O mais era marasmo e silêncio.

Na época daquela visita, já sabia o significado da palavra Aiquara: Vinha do tupi – como sói ocorrer com muitos logradouros brasileiros – AI, que significava preguiça(1), o animal; QUARA, significava buraco, morada, o refúgio da preguiça. Macunaíma poderia ter nascido lá.

Quanto a Jequié(2), que eu também já sabia o significado, cuja forma correta, em tupi, seria Tikí-é, significava “o covo(3) de forma diversa, podia ser ainda uma palavra da língua dos Camacãs (que não eram tupis), Yaquié, para exprimir onça, cachorro”, isto na concepção de Sampaio. Já Falcão afirma que a palavra se formou pela junção de Jequi (covo) mais eé (arrastar), significando “covo de arrasto” (armadilha de arrasto?) ou “rio do covo”. Podendo ser ainda, como segunda opção, “covo diferente, que não é como os demais”.

Tudo isso é dito em uma tentativa de explicar minha resistência em averiguar o significado de soteropolitano, uma vez que era oficialmente jequieense, embora a fazenda onde nascera ficasse no distrito de Aiquara, próxima ao povoado de Pulga do Campo, o que me fazia um cidadão pulgacampense (ou algo similar), mais precisamente nascido em um município que não existia no ano em que nascera. O pior de tudo era que também o minúsculo povoado de Pulga do Campo tampouco existia. Já estava pensando que era um cidadão fantasma – temendo que a terrível, e temível, (com os mais pobres) Receita Federal, descobrisse essa situação e visse nela dolosas intenções minhas.

Estava vivendo esse crucial dilema, participando de uma reunião da Secção Baiana da União Brasileira dos Escritores (UBE/BA), quando conheci a brilhante escritora patrícia, Miriam de Sales. Uma mulher muito simpática, que fala pelos cotovelos, porém não cansa porque fala bem e sabe o que fala e do que fala. Ouvia-a, hipnotizado, como de resto toda a plateia, quando ela disse que sabia o significado de soteropolitano.

Na ocasião, ainda extasiado com a magia da fala de Miriam, senti inibição em perguntar qual. Justifiquei, em pensamento, que não o fazia por pura preguiça (afinal estava relacionado com aquele tipo de animal e de sua casa), porque soteropolitano só podia vir do grego ou do latim – disse-me.

Voltei para Valença, onde moro, magnetizado com o feitiço de Miriam e com o bendito soteropolitano na cabeça. O tempo passou e ontem (29/6/2011, dia de São Pedro e das Viúvas, como realçava a Miriam em seu livro “A Bahia de Outrora”), tomei coragem e perguntei-lhe diretamente. E ela, que adepta do uso constante da Internet, passou-me algo que chamo gancho (mas ela chama link: http://abahiadeoutrora.blogspot.com/2010/07/ficha-tecnica-do-livro.html), onde pude ler o que se segue: “Nós baianos somos xingados de soteropolitanos como dizia o irreverente Jorge Amado. E, muitos baianos desconhecem porque somos chamados assim. Graças à bibliotecária Genilda, da ABL, estudiosa das coisas da Bahia, descobrimos. Soteropolitano(4) vem de SOTERO: SALVADOR; POLI: CIDADE; TANO: NATURAL. Entendeu? Natural da cidade do Salvador, com muito orgulho.

“Como nós, baianos, somos “diferentes” e reverenciamos a cultura clássica, nosso gentílico tinha que vir do grego, pois Soterópolis é Cidade do Salvador, nesta língua.

“Soterópolis era uma cidade grega, erigida em honra de Sotero, imperador, cuja palavra, em grego, significa Salvador.”

₢ Araken Vaz Galvão

sábado, 28 de maio de 2011

"Meu Bebê"

Bonecas são idealizadas, produzidas e compradas com o intuito de servirem de brinquedo a milhares e milhares de crianças. Por isso quando se pensa nelas, é habitual vir à tona (aflorar) sentimentos aprazíveis, puros, inocentes, relacionados a crianças. Mais especificamente, a meninas.

É notório que bonecas são seres inanimados. Contudo, quando são adquiridas e presenteadas passam a pertencer a alguém. Elas conquistam identidade e vida. Vida de boneca, não obstante, vida. Recebem carinho e, no âmbito da fantasia, também retribuem. Todavia as bonecas, apesar de todo cuidado e atenção que lhes são dispensados, quase sempre são descartadas. As formas são diversas: pelo processo caridoso de doação; pelo esquecimento em um baú qualquer; ou simplesmente são jogadas no lixo. Quando elas passam por esse processo de descarte, algumas razões precedem o ato. Pode-se estar diante de novas aquisições (mais bonitas, mais modernas, mais eficientes); a dona cresceu e não se interessa mais por esses seres; e, em situações menos corriqueiras, a mãe, mergulhada por uma inconsolável perda da filha, desfaz-se desses seres que provocam lembranças diluídas em lágrimas.

Pois é. Onde é mesmo que bonecas deveriam permanecer? Se pudesse, suspenderia a seqüência desse texto para que você, leitor, formulasse suas respostas. Pretensiosamente, posso tentar adivinhá-las, mas vou sugerir uma: no lixo. Isso mesmo! No lixo.

Bonecas recolhidas pelo caminhão do lixo têm o fado comum a tudo que não é mais útil a alguém: um lixão. Nesse lugar, pessoas possuem o hábito de garimpar coisas que possam ser úteis para o próprio uso, ou para uma eventual venda. Nunca tive notícia ou conhecimento de que alguém “catasse” algo no lixo para expô-lo no próprio veículo de coleta. Perguntas? À vontade, leitor.

Pois assim foi. Certamente imatura ideia de algum funcionário da limpeza pública que, muito provavelmente, não tem filhos, ou melhor, filhas (hipótese).

Três bonecas, do tipo “Meu Bebê,” foram escolhidas para a peça. Estavam sem roupas, sujas, porém inteiras. Poderiam ter sido completamente recicladas, mas não foram. Ao invés, as três tiveram um destino mais, muito mais do que esquisito. Excêntrico, estrambótico são termos que se amoldam mais à ocasião. Elas passaram a assumir um papel que não é apropriado a um brinquedo, muito menos a uma boneca que, simbolicamente, representa figura feminina. Como tal não deveriam estar naquelas posições onde se encontravam.

É muito provável que os autores da bisarrice não tenham tido a intenção de afrontar ninguém com o despropósito da exposição, mas o fato é que lá estavam as três bonecas. A primeira encontrava-se enganchada (como se estivesse sentada) na frente do caminhão de coleta do lixo urbano. Era algo semelhante a um carro abre-alas, reduzido à frente do caminhão. Desprovida de vestido, braços abertos, como a pedir um abraço que se perdeu com o seu abandono, lá se encontrava a boneca sem nome. O vento, provocado pelo deslocamento do carro, fazia com que ela oscilasse para lá, e para cá; pra trás e pra frente; era uma “boneca-criança” em extremo perigo, obrigada a fazer um “tour” inusitado pela cidade de Valença.

À segunda e terceira personagens, também retiradas do entulho, foram destinados lugares um grau acima do não usual: macabro mesmo. Elas estavam presas a uma corda, ou cordão (não dava para distinguir perfeitamente) e pendiam na parte superior, à direita e à esquerda da carroceria da caçamba. Eram idênticas à outra. Diria mesmo que eram trigêmeas. Assemelhavam-se em tamanho, modelo, grau de conservação e destino. A corda presa ao pescoço frágil dos brinquedos e os movimentos bruscos e desconexos impunham às bonecas uma aparência de alguém que sofrera o processo de enforcamento e foi posto à exposição pública. Exposição ambulante, constrangedora, deplorável.

Triste saber que episódios como esses possam ocorrer sem causar nenhum impacto. No entanto, elas fizeram parte de uma cena de um teatro insólito, macabro, promovido e patrocinado pelos caminhões da limpeza pública de uma cidade cuja platéia (só para dar o tom de confirmação) se olhou, não viu; se viu, não esboçou reação: nem vaias, nem insultos, nem aplausos.

Mas quem era mesmo a plateia?


                                           Maria Raimunda Almeida Silva

segunda-feira, 9 de maio de 2011

Olá!
Convidamos para o Projeto Uma Prosa Sobre Versos, com os poetas Elder Oliveira e João de Moraes Filho.
Momento musical com Elder Oliveira e recitais com os grupos Concriz e Renascer.
Sua presentça será muito importante para nós.
Edmar Vieira e Equipe
Maracás - BA

quarta-feira, 4 de maio de 2011

União Brasileira de Escritoros


Entidade tradicional, nossa representante, os escritores, com sede em São Paulo, que, entre outras atividades, promove periódicos Congressos de Escritores, cujo primeiro foi realizado na Bahia, na década de 40, vai realizar entre os dias 12 e 15 de novembro de 2011, na cidade de Ribeirão Preto, SP.


Esta é uma notícia importante porque um grupo de escritores da Bahia, sob a liderança de Carlos Souza e de Roberto Leal, está empreendendo esforços para a criação da UEB – Secção Bahia, já tendo realizadas algumas reuniões, onde tem comparecido inúmeros interessados.

Em outras ocasiões temos enfatizado a necessidade de que os escritores do interior somem-se a essa iniciativa, associando-se a UEB, para isso basta acessar o saite: www.ube.org.br

O Vice-presidente da AVELA, Araken Vaz Galvão, que já é sócio, acaba de receber o jornal da Entidade, “O Escritor”, cujo fac-símile da primeira página vai estampado acima.

Aproveitamos a oportunidade para enfatizar a importância de comparecimento do escritor baiano nesse próximo Congresso, cuja programação completa sairá em Abril.



segunda-feira, 2 de maio de 2011

ILHÉUS TERÁ ENCONTRO DE ACADEMIAS DE LETRAS

Adilson Gomes, Araken Vaz, Pawlo Cidade e Alfredo Gonçalves

Estiveram reunidos durante todo o dia de ontem, 30 de abril, na FUNCEA, em Valença, os diretores do Fórum das Academias de Letras do Estado da Bahia - FALAB. A principal pauta do encontro versou sobre a organização e os encaminhamentos do II ENCONTRO ESTADUAL DE ACADEMIAS DE LETRAS DO ESTADO DA BAHIA, que este ano, será realizado na cidade de Ilhéus.

Entre outras coisas, ficou decidido que o encontro ocorrerá no período de 5 a 7 de agosto. Dia 05, às 19:00 horas, será a abertura oficial no Teatro Municipal de Ilhéus e contará com a presença de várias autoridades  - inclusive o Secretário de Cultura do Estado da Bahia, Albino Rubim e o Diretor da Fundação Pedro Calmon, professor e historiador Ubiratan Castro,e representantes da sociedade civil.
Para o escritor e pesquisador Araken Vaz Galvão, presidente da FUNCEA e do Fórum das Academias, este segundo encontro irá fortalecer o papel das Academias de Letras no interior da Bahia e dará continuidade às políticas públicas que estão sendo implementadas no setor desde a realização do primeiro encontro, em dezembro passado, na cidade de Valença, promovido pela AVELA - Academia Valenciana de Educação, Letras e Artes, presidida pelo Dr. Alfredo Gonçalves. Na ocasião, 17 Academias de Letras estiveram presentes. Ele ainda acrescenta que o encontro irá analisar os principais pontos descritos na Carta de Valença, transformando-as em políticas públicas para as propostas encaminhadas.

Neste segundo encontro haverá o lançamento dos Anais do encontro anterior, lançamento da Revista do FALAB, apresentações culturais, homenagens, oficinas literárias, palestras e mesa-redondas, sobretudo pautada na obra de Jorge Amado, principal homenageado deste ano no encontro.

Dr. Alfredo Gonçalves, presidente da AVELA, sugeriu que em Ilhéus, o encontro tivesse o mesmo formato do primeiro, já que ele se mostrou bastante eficaz nas discussões e nos debates, respeitando, claro, as características e as atividades locais.

Pawlo Cidade, vice-presidente do Fórum e o confrade professor Adilson Gomes - secretário geral,  sob a  supervisão do confrade Araken, ficaram responsáveis para dar encaminhamento ao cronograma de ações que serão feitas nos próximos meses até a data magna em 05 de agosto. Entre as atividades delegadas está a construção do programa e o tema do encontro. Segundo Pawlo, "Ilhéus fará uma celebração de mãos dadas com Jorge", já que no mesmo período ocorre a tradicional Semana Jorge Amado de Cultura e Arte. "Iremos procurar parceiros que vêm a língua e a literatura como instrumentos de transformação e fortalecimento da cultura na Bahia".

O II ENCONTRO DAS ACADEMIAS DE LETRAS DO ESTADO DA BAHIA, terá apoio da Secretaria de Cultura do Estado, através da Fundação Pedro Calmon e da Prefeitura Municipal de Ilhéus, por meio da Fundação Cultural de Ilhéus.


quinta-feira, 24 de março de 2011

Projeto Uma Prosa Sobre Versos

 Recebemos da Academia de Letras de Maracás a noticia do ínicio do projeto "Uma Prosa Sobre Versos", que iniciou a edição 2011 em grande estilo.  Com realização da Prefeitura Municipal de Maracás, através da SEMEC / Diretoria de Cultura, o Projeto Uma Prosa Sobre Versos é um movimento de resistência à cultura de massa.
Iniciado na última sexta-feira, 18, o evento recebeu o poeta Salgado Maranhão, maranhense radicado no Rio de Janeiro, autor de sete livros de poesia, letrista com parcerias com grandes ícones da MPB, a exemplo de Elba Ramalho, Zeca Baleiro, Ivan Lins e Paulinho da Viola.

A noite contou com um magnífico recital poético apresentado pelo Grupo Concriz, uma palestra do autor convidado e uma entrevista realizada pelo poeta e curador do projeto, José Inácio Vieira de Melo.





Grupo Concriz em uma de suas melhores performances






                                    





José Inácio Vieira de Melo entrevista Salgado Maranhão


A reportagem completa do evento pode ser vista no blog: www.maracascultural.blogspot.com

quinta-feira, 17 de março de 2011

I Encontro de Academias da Bahia

Entre os dias 10, 11 e 12 de dezembro do ano passado, sob os auspícios da Fundação Pedro Calmon, foi realizada em Valença o I Encontro de Academias de Bahia, com a participação de 17 Entidades Co-Irmãs, tudo coordenado por nós, da Academia Valenciana de Educação Letras e Artes – AVELA.

Não voltaremos a falar a importância que foi aquele Evento, que contou com a presença, entre outras autoridades, do então Secretário de Cultura, Márcio Meireles e do presidente da FPC, professor Ubiratan Castro.

Dias depois, recebemos do confrade Evandro Gomes Brito, da Academia de Letras de Vitória da Conquista, um dos muitos amigos que fizemos, o soneto que se segue, o qual não foi publicado antes por razões imprevistas, fato que nos desculpamos agora.

sábado, 12 de março de 2011

sexta-feira, 11 de março de 2011

Revista de História

Recebi o convite do meu amigo gaúcho, o professor Mário Maestri (Chefe do Curso de PPG em História, da Universidade de Passo Fundo, RS), para prestar um depoimento, a ser publicado em uma revista, sobre minhas relações políticas com Leonel Brizola. Como aquelas relações foram mesmo de ordem políticas, e não pessoais, resolvi falar das suas relações com os sargentos – já que fui um deles – e ater-me apenas àqueles ângulos do nosso relacionamento.

Para isso, fiz uso de um capítulo “Brizola e os Sargentos”, do meu livro (inédito) “O Sargento na História do Brasil”.

A matéria saiu no número 10, de Novembro de 2010, Ano 6, pág. 64-68, da revista “História & Luta de Classe”. Acabei de receber dois exemplares, recheados de matérias sobre “Militares e Luta de Classes”. Essa revista é distribuída, caso algum amigo esteja interessado, através de: historiaelutadeclasses@uol.com.br

Reproduzo, abaixo, da capa da revista.





sexta-feira, 4 de março de 2011

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Eleição da Acdemia de Letras Giordano Bruno

ACADEMIA DE LETRAS GIORDANO BRUNO


Mostrar detalhes 22:24 (11 horas atrás)

Olá caro confrade Araken Vaz Galvão, gostaria que o senhor colocasse no seu blospot a divulgação da eleição da nova diretoria da academia de letras Giordano Bruno/ em Vitória da Conquista-Ba

NO DIA 17 DE FEVEREIRO DE 2011, NA SEDE PROVISÓRIA DA ACADEMIA DE LETRAS GIORDANO BRUNO-ALGB, EM VITÓRIA DA CONQUISTA-BA, DAS 14:00 ÁS 18:00 HORAS, OCORREU A ELEIÇÃO E POSSE DA DIRETORIA EXECUTIVA E DO CONSELHO FISCAL COM A SEGUINTE ORDEM:

PRESIDENTE: ROZANIA ANDRADE GOMES BRITO

VICE-PRESIDENTE- ROBERTA JESUS SILVA

SECRETÁRIO- PAULO NUNES DA SILVA

TESOUREIRA- NEUMA SUELI ALMEIDA VIEIRA

RELAÇÕES PÚBLICA : ANTONIO MARCOS ROCHA SILVA

EMBAIXADOR ESCOLAR: MARIA NELI DE SOUZA

CONSELHO FISCAL 1º ALESSANDRO BRITO DOS SANTOS

CONSELHO FISCAL 2º ADALBERTO PEIXOTO DO COUTO

CONSELHO FISCAL 3º ALDACI FERREIRA DA CRUZ

Um grande abraço da confreira presidente – Rozania Brito e o confrade Evandro Brito

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Por que estudar Letras?

Sempre me perguntei por que as pessoas estudam letras. E essa minha indagação faz-se mais insistente porque vejo proliferar o número de cursos de literatura, enquanto o número de leitores cresce apenas vegetativamente, quando cresce...

Por que, então, se estuda letras?

Esse instigante enigma levou-me a aventar a hipótese de que há algo de muito errado na elaboração da grade curricular dos cursos de letras em nosso país. Formam-se jovens professores que deverão ensinar a outros mais jovens, os quais, por suas respectivas vezes, irão ensinar a outros, e assim sucessivamente, apenas teoria literária.

Em outras palavras, formam-se professores para ensinar literatura, e não professores para ensinar os alunos a gostar de ler.

Aí está a chave do problema.

Ensinar a um jovem que a literatura clássica possui tal estrutura, que a barroca possui outra; que a moderna caracteriza-se por tal particular, que o real maravilhoso, de Carpentier, por exemplo, tem suas raízes na Grécia antiga, e possui particularidades não encontradas no realismo mágico de Borges ou de Astúrias ou ainda no de Felisberto Hernandez, por exemplo. Que o termo realismo fantástico é uma infeliz invenção da imprensa, devido ao chamado boom provocado por García Márquez e outros fenômenos hispano-americanos. Já que há uma vertente de literatura do século XIX com uma nomenclatura similar.

Nesse cipoal, há uma terrível lacuna para se explicar o porquê de não ter proliferado no Brasil nada que possa ser englobado como real maravilhoso, realismo mágico ou mesmo o não aceito realismo fantástico, no caso, do século XX.

Pergunto-me de que serve o jovem formando saber que salvo pelas poucas conhecidas presenças de um Murilo Rubião, de um J. J. Veiga, de um José Cândido de Carvalho, nenhuma dessas escolas proliferou entre nós. Isso, claro, sem esquecer outras contribuições esparsas, como a de Machado de Assis, de Graciliano Ramos e outros raros autores nacionais – inclusive o autor dessas linhas – nada pode ser enquadrado, a rigor, seja como realismo mágico, real maravilhoso ou mesmo realismo fantástico(1).

Em um parêntese, é bom frisar que durante a ditadura alguns autores(2) fizeram incursões a meio caminho entre a fábula moderna e a parábola com claras intenções de criticar os assassinos militares que tinham se apossado do poder em nosso país. Alguns foram felizes em seus propósitos, outros nem tanto. Não seria justo não registrar, de uma forma ou de outra, esses esforços, sem entrar no mérito sobre o valor literário desses trabalhos.

Fechando o parêntese, podemos dizer que se o papel do formando de letras fosse ensinar aos seus futuros alunos a gostar de ler, seria preciso que ele próprio fosse um leitor fanático. Porém, dificilmente isso ocorre.

Se perguntarmos a maioria dos alunos de letras quantos livros eles lêem por ano, excluídos os livros obrigatórios segundo o programa, os que são lidos apenas em resumo, os que são lidos segundo o sistema de engodo da Internet(3), e os livros que supostamente são lidos em grupos – em que cada turma lê uma parte –, aqueles livros que o aluno paga para alguém – outros alunos mais informados e até aos professores – fazer um trabalho dando a impressão que foi ele quem leu, a resposta será, por certo, surpreendente. Surpreendente e decepcionante.

Os dicionários, entre outras definições, dizem que letra vem do latim littera, e significa cada um dos sinais gráficos elementares com que se representam os vocábulos na língua escrita. Expressa no plural, letras, significa ainda o conhecimento adquirido através do estudo, sendo, dessa forma, o mesmo que saber. Por isso ouvimos dizer, por exemplo: homem de poucas letras. Se tem poucas letras, é um homem de pouca escolaridade e, conseqüentemente, de pouco saber.

Por outro lado, sendo sinais gráficos, são, por certo, signos gráficos, podendo nos sugerir – e quase sempre sugere – que a representação caprichosa desses signos consiga nos relevar algo de mágico, algo de fantástico, algo de maravilhoso.

Esse é o encanto da literatura, sua misteriosa magia. E esse encanto mágico pode muito bem dispensar classificações e outras dissecações. A literatura pode se realizar sendo apenas assimilada pelos poros da emoção, pelas sutis cavidades da sensibilidade. E esse caminho só pode ser percorrido se o estudante, futuro professor, antes de aprender a ensinar o que é literatura, aprenda a senti-la. Em outras palavras, aprenda a gostar de ler, penetrar em seus meandros misteriosos, hipnotizar-se com sua magia, e embalar-se em seus sonhos.

Se o aluno não for capaz – em primeiro lugar – de sentir o ciúme de Paulo Honório, de São Bernardo; não conseguir se envenenar com as dúvidas de Bentinho, de Dom Casmurro; se não mensurar a extensão da frustração do amor de Riobaldo, de Grande Sertão – Veredas, e descobrir porque “viver é muito perigoso”; não sentir o ridículo do capitão Vitorino, de Fogo Morto; não se excitar com o erotismo das heroínas de Jorge Amado; não sentir a solidão da Ana Terra, de O Tempo e o Vento(4), por exemplo – e para ficar apenas com algumas obras de autores brasileiros –, de nada adiantará estudar todas as teorias literárias, as mais modernas, as mais antigas, as de vanguarda, as de quaisquer tipos. De nada adiantará porque literatura não é feita de técnica literária – a teoria apenas nos mostra o que o artista da palavra inventou (muitas vezes até sem saber), para externar seu talento –, mas de emoção.

Da mais pura emoção que o ser humano pode sentir...

Tenho dito.



Valença, BA, 25 de outubro de 2008



© Araken Vaz Galvão


(1) Se para um intelectual de peso, residente em uma das nossas grandes cidades, já é difícil acompanhar tudo (ou quase) de bom que aparece na literatura brasileira, ou seja, saber quais os bons novos autores que surgem, quais as grandes promessas, sem esquecer que o espaço para os novos nas editoras de porte é praticamente nulo; e ainda, se considerarmos que muita obra de valor é editada em tiragem reduzida, na maioria dos casos financiada pelo próprio autor e seus amigos ou – quando o autor tem sorte! – por conseguir uma edição com apoio das Secretarias de Cultura dos Estados, fica fácil se compreender que este trabalho (realizado por quem mora em uma pequena cidade do interior da Bahia) não tem – nem poderia ter – a pretensão de esgotar o tema (como já foi dito e redito), nem, tampouco, de citar todos os nomes já revelados ou em revelação, entre nós, que se dedicam à literatura fantástica, seja ela na forma do realismo fantástico, propriamente dito, seja na sua variante mágica ou maravilhosa. Por isso, que fique dito e reconhecido que as lacunas por ventura nele contidas, mesmo se constituindo em uma injustiça, não possui motivações excludentes, sendo apenas fruto de falta de informação do seu autor ou, simplesmente, de sua pouca cultura...

(2) Enquadrar-se-iam nesse esforço, entre outros, Érico Veríssimo, como “O Prisioneiro” e “O Incidente de Antares”; Josué Guimarães, como “Os Tambores Silenciosos” e Chico Buarque de Holanda, com a “Fazenda Modelo”.

(3) Esse sistema está a criar uma nova anomalia nos métodos de ensino: os professores (os preguiçosos, pelo menos), aqueles que estudaram para “ensinar literatura”, aceitam esse meio superficial (moderno!) porque não exige deles nenhum esforço. O professor não se esforçando, os alunos também se acham no direito de não se esforçarem. Recorrem, então, ao pseudoconhecimento da Internet. E a burrice fica por conta da suposta modernidade...

(4) Obras de Graciliano Ramos, Machado de Assis, Guimarães Rosa, José Lins do Rego e Érico Veríssimo, respectivamente.



segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

ONDAS CIRCULARES

Sequer era-me conhecido, o menino, que agora olha-me entremetido em vivaz curiosidade, por sobre o ombro esquerdo do pai. Esse, o pai, embora de costas para mim, parece-me alguém por demais familiar.


Entrementes e, por hora, não posso assegurar similitudes ou parentescos porquanto ele insiste em manter a face oculta, escamoteada pelo menino que carrega, cuja esperteza da idade permite perseguir com seus argutos olhos o mundo que se oferta a sua volta.

Alguns anos depois desse encontro, mas isso só virei a saber com o passar do tempo, haverei de ter um filho com aquelas mesmas feições do menino que ora fita-me e, talvez, por conta dessa lembrança – pai e filho passeando ao cair da tarde por entre os arvoredos de um bucólico parque –, por diversas vezes, cumprirei repetir igual itinerário.

Decerto para não deixar esmaecer essa imagem que ora mo oferta o destino, que haverá de ficar por demais impregnada em futuras lembranças. Todavia, nesses distantes anos que me aguardam viver, descobrirei, ainda que por acaso, numa dessas tardes mornas em que estivermos caminhando juntos — eu e o meu filho por nascer — por ali, exatamente no instante em que nos deleitarmos arremessando pequenos pedaços de miolo de pão para os peixes do lago, encontraremos refletidas no espelho das águas as nossas faces e tudo se desnudará. Nesse átimo, em que os contornos de nossos rostos se imprecisarão à baila do movimento das ondas circulares que se formam a cada naco de pão ali atirado, o sobressalto se fará sentir.

Então saberei que, sequer terá nascido o menino que trago suspenso em meu ombro Tampouco poderei reconhecer o seu rosto, disforme, de permeio ao movimento das águas ora agitadas por conta dos peixes que disputam o alimento oferecido. E desconhecido serei a mim mesmo.

Certamente – ainda que não possa asseverar de todo – por tudo ter sido tão-somente um sonho dentro de um sonho, nada mais que isso, talvez ou, simplesmente, sem que viesse atentar, fossemos nós – eu e meu inascível filho – a lembrança de alguém que, um dia, quando da sua passagem a berma desse lugar o qual nos encontramos agora, tenha nos imaginado de igual forma, assemelhados à saudade que haveria de guardar – recordação que se esvai – que não me pertence e, por conseguinte, não carrego comigo no correr dos anos, muito menos no presente, nesse lugar devorado pela escuridão, onde nenhum rosto se permite perpetuar, quiçá entrever-se, pior ainda esquecer-se.

E desperto, longe do parque onde nunca estive.



©Alfredo Gonçalves de Lima Neto



quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011



Fotos do I Encontro Estadual das Academias de Letras da Bahia
Da esquerda para direita: Prof. Ubiratan Castro (Presidente da Fundação Pedro Calmon), Alfredo Gonçalves (Presidente da AVELA), Marcío Meireles (Secretário de Cultura 2006 a 2010) e Araken Vaz Galvão (Vice Presidente da AVELA)

Formação da mesa.



Orquestra de Flauta de  Venceslau Guimarães
Dança Afro da professora Célia

Adriano Pereira - Ocupação Cultural

Crianças do PETI

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

O SOBREVIVENTE

 Dos quatro sobreviventes da explosão ocorrida no terminal estadual de gás, cuja fotografia, naquele instante, eu mantinha suspensa diante dos meus olhos, um deles se encontrava morto. Aliás, antes mesmo de ter sido fotografado.
E era, convenhamos, por demais estranho e constrangedor avistá-lo ali, em preto e branco, empertigado, ladeando os outros três sobreviventes, deixando a mostra um sorriso irônico e ligeiramente despudorado. Sequer olhava-me de soslaio, preferindo enfrentar-me com seus olhos negros interrogativos por trás dos óculos redondos de grossas lentes, que garboso, se via obrigado a usar. Aparecia vestindo o mesmo sobretudo cinza escuro de golas largas, que trajava quando o encontraram sem vida por entre os escombros do sinistro.
Desde o começo, quando das primeiras listas com os nomes das vítimas fatais, ele já figurava. A família fizera o reconhecimento de seu corpo no necrotério e chorara desesperada sobre o cadáver chamuscado. Agora, ele teimava em voltar, incluso em todas as fotografias tiradas dos três únicos sobreviventes. Chegara, inclusive, a aparecer na primeira página de um jornal vespertino de grande circulação, numa fotografia, entremetido àqueles três que escaparam do desastre, em cujo rodapé anunciava o que as páginas internas esmiuçavam.
E embora as notícias corroborassem a sua morte, enveredando em comentários sobre o padecimento da sua enlutada família, renitente, ele insistia em se mostrar com vida, desprezando a companhia dos mortos que, assim como ele – e como cabia ser –, já haviam sido sepultados.
Somente seis dias depois daquela infausta tarde em que me trouxeram a notícia da sua morte, é que a imagem de meu pai começaria, enfim, a desbotar-se naquelas tantas fotografias, até esvair-se de todo.
Assim consumado, tomei em minhas mãos os retratos e recortes de jornais que comigo trazia guardados dos bolsos, os quais e, de modo contumaz, me entregava a vislumbrá-los com um misto de dor e sofreguidão. Ninguém houve de censurar-me ou inquirir-me por aquilo que acabei de fazer.
Rasguei-os todos em pedacinhos e juntei-os sobre o peitoril da janela de meu quarto onde a seguir os queimei.
Ventava, e isso em muito me convinha. Num sopro, aliciei o vento para que carregasse com ele as minhas próprias cinzas.


© Alfredo Gonçalves de Lima Neto

sábado, 1 de janeiro de 2011

A Invenção da Segunda-feira

E ficou ali, miudinho, acocorado em sua humildade, fazendo luas com os dedos. Só depois, descobriu que era Deus. Como houvera criado a noite, não demorou a dar peso às pálpebras para justificar o sono. Quanto aos sonhos, como bem dissera, não fora criação sua. O Diabo, que negara com veemência qualquer responsabilidade no ofício dos pesadelos, culpou os homens pela criação dos mesmos.
Por seu turno e, como era aquele o sétimo dia desde o início da criação, Ele fora descansar. Segunda-feira acordou cedo e desejoso. Manhãzinha, junto com um resto de frio e as galinhas. A lenha sequer se vestira em fogo. Olhou nos escuros do mundo e bocejou. Há quem diga que era um esboço de preguiça, mas nem entre os que testemunharam aquele gesto se atreveu a tanto. Se ainda fosse uma virtude – disse de si para consigo, um certo tipo, esse, sim, um rascunho de bajulador. Mas Ele, que tudo ouvia – até pensamento e assombração – desprezaria a insinuação, preferindo retirar a remela que lhe grudava um dos olhos com a unha de um dos indicadores, enquanto matutava diante do descampado que, no lusco-fusco, se descortinava bem a sua frente.

Tomou uma decisão: criaria o ontem. Quanto ao amanhã, reservaria para as esperanças. Apegado que era às saudades, inventaria – mais adiante – um lugar onde guarda-las. Foi então que se lembrou que já o tinha inventado. Era o ontem.

Talvez por conta disto, o Diabo, que nos abeirados O espreitava, tenha amaldiçoado as segundas-feiras. E isso – como asseveraria o homem – haveria de ser a maior maldade atribuída a Satanás depois da sua invenção do arrependimento.



©Alfredo Gonçalves de Lima Neto