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terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Boa Noite Rio Una

Venha participar conosco desse evento e deliciar-se de uma boa música, ao cair das tardes, às margens do Rio UNA.
A companhia de seus Familiares será gratificante.
Música é CULTURA!!!

sexta-feira, 2 de setembro de 2011

CICLO DE DEBATES ACADÊMICOS MOSTROU A OBRA DE JORGE AMADO PELOS OLHOS DO REALISMO MÁGICO

Professor Arléo e Professor Araken
Quem esteve presente na noite de abertura do I Ciclo de Debates Acadêmicos, promovido pela Academia de Letras de Ilhéus, na última sexta-feira, dia 26/08, fechando o "Agosto de Jorge Amado", se deleitou com uma palestra bem humorada, com profundos ensinamentos e uma visão diferenciada da obra de Jorge Amado. Se, por um lado, algum dos presentes ainda não havia lido um dos livros de Jorge, certamente a primeira coisa que fez ao chegar em casa foi pegar "Capitães da Areia", "A morte e a morte de Quincas Berro d´água", "Mar Morto", "Jubiabá" ou "O País do Carnaval", por outro, quem já leu toda a obra, saiu com desejo de ler tudo de novo.








A assertiva tem uma razão. A maneira com a qual o palestrante da noite, o historiador e escritor, Araken Vaz Galvão, conduziu o discurso, fez-nos viajar pelos caminhos tortuosos da civilização cacaueira, passando por personagens revolucionários e aventuras que beiravam o realismo mágico, ou até mesmo, fantástico, recheado nas obras de Jorge Amado. As semelhanças do escritor valenciano, com o escritor grapiúna fortaleceram ainda mais o debate. Ambos foram criados em roças de cacau, tiveram pais latifundiários e foram exilados pelo regime militar.


Araken também lançou dois livros.




Suas palavras, carregadas de entusiasmo e amor pátrio, nos lembrava o personagem Policarpo Quaresma para quem tudo do país é superior, chegando até mesmo a "amputar alguns quilômetros ao Nilo" apenas para destacar a grandiosidade do Amazonas. Esse valenciano, por opção, nascido em Jequié, no distrito de Aiquara, em 1936, possui formação em História (Investigación histórica), Instituto de História, Faculdad de Humanidades y Ciências, Universidad de la República Oriental del Uruguay (três anos) e Escuela de Bellas Artes (também três anos), do mesmo país. Possui ainda curso de cinema (um ano) da Cinemateca Uruguaya, Montevidéu. Na capital uruguaia trabalhou como jornalista free, em alguns jornais daquela capital. Passou pela Argentina, Paraguai e Bolívia, tendo residido no Peru, onde realizou quatro filmes de curta-metragem e um longa-metragem, Yawar Mayu – primeiro filme brasileiro falado em espanhol e com elenco e artistas dos dois países. Residiu no Equador – Guayaquil e Quito – onde trabalhou na Televisão.



Atualmente, é membro do Conselho Estadual de Cultura e Presidente do Fórum das Academias de Letras do Estado da Bahia.



O I Ciclo de Debates Acadêmicos contou com o apoio da Fundação Cultural de Ilhéus e do Ilhéus Praia Hotel. É coordenado pelo presidente Arléo Barbosa e produzido pelo professor Pawlo Cidade.



Estiveram presentes, além dos convidados, os acadêmicos Gerson dos Anjos, Hans Schaeppi, Dorival de Freitas, Neide Silveira, André Rosa, Arléo Barbosa, Eliane Sabóia e Pawlo Cidade.



Visite o Blog de Araken Vaz Galvão

sexta-feira, 22 de julho de 2011

Alfredo Gonçalves Lança OS ENCANTOS DA MORTE!!

Alfredo Gonçalves de Lima Neto, médico por profissão, artista da palavra por desígnio dos deuses (e quiçá com um pouquinho de força dos demônios também), nasceu em uma madrugada, possivelmente, chuvosa – daquelas de tempestades que, assustando a quem é surpreendido nas ruas, anunciam os grandes cataclismos –, já que a maioria das crianças soe escolher as horas mais insólitas para vir à luz, imagino que isso sucedeu com ele que, também por vocação dos deuses (ou dos...), já veio ao mundo fazendo travessuras.

No entanto, dizia eu que a possível tormenta da qual falava, supondo ter ele vindo ao mundo naquela noite, ao ter as mesmas características das que pressagiam desgraças, ironicamente trouxe um fato benfazejo. Um menino que, se poderia dizer, era antípoda do personagem das histórias infantis, uma vez que não se negou a crescer, sendo que houve apenas uma semelhança com aqueloutro, posto que Alfredo, ao se fazer homem, em espírito, permaneceu eternamente criança, já que, para ele, a vida é tão-somente um ato lúdico, só valendo a pena vivê-la com ajuda de muito riso, brincadeiras, gracejo, festança, pilhéria, caçoada, folgança, galhofa, zombaria e, consequentemente, muito humor.

Não sei se ao nascer, algum anjo torto, daqueles que vaticinaram a Drummond, o fado de “ser gauche na vida”, auguraram-lhe destino semelhante. Sei, contudo, que o dotaram de uma etérea sensibilidade, de uma honestidade ilibada e de um espírito de companheirismo ímpar. Tudo isso, porém, repleto de ironia, de zomba, diria mesmo que até de certo espírito de galhofa, características as quais podem parecer aos desavisados coisa de pessoa que não leva nada a sério.

Ledo engano.

Alfredo, em sua aparente adolescência eterna, é sério e sisudo. Sua obra literária assim o prova. Um dos seus temas favoritos é o último ato da vida, conforme podemos constatar neste “Os Encantos da Morte”, um livro primoroso sob todos os sentidos. E esse primor caracteriza-se pela riqueza da linguagem, pela fina ironia do humor, pelas sutilezas das metáforas, pela trama bem urdida e pela elegância verbal.

Há um lugar-comum – do tipo desses que aparecem nos pára-choques dos caminhões – relacionado com os médicos, o qual reza: “Por lidar tanto com a morte, talvez seja o que melhor saiba lidar com a vida”. Aplicando-o ao escritor Alfredo, eu diria que ele por trabalhar literariamente com o lado absurdo e contraditório da vida – e sua obra é a melhor prova disso –, melhor consegue brincar de forma magistral com a morte.

O leitor sensível, ao adentrar nas páginas deste livro, constatará que essas palavras são o retrato vivo sobre um escritor que consegue transformar em fina ironia – às vezes com laivos de zombaria e sarcasmo – as chamadas tragédias da vida.



Araken Vaz Galvão

terça-feira, 12 de julho de 2011

Convite Para Projeto Uma Prosa sobre Versos


Bom dia!


Temos a imensa satisfação de convidar para o projeto Uma Prosa sobre Versos, que acontecerá nesta sexta-feira, às 19h30min, no Auditório Municipal de Maracás, com o poeta Alesandre Bonafim.

Vamos celebrar a poesia brasileira!

Agradecemos ao convite e felicitamos pela iniciativa.

sábado, 9 de julho de 2011

Mínima Enciclopédia - Soteropolitano

Baiano de nascimento e coração – até um pouco fanático, ainda que fanatismo seja perigoso, mas no bom sentido ou como força de expressão, imagino que, tudo bem – sempre tive curiosidade em saber por que aqueles nascidos na cidade do Salvador são chamados de soteropolitanos, mas, inexplicavelmente, um preguiça macunaímica – se me permitem o canhestro neologismo – impediam-mo.

Talvez a preguiça tivesse seu epicentro no diabinho que todos temos (acho!) no inconsciente, que estava sempre a dizer-me: Não tens nada com isso. Nasceste em Jequié. És, pois, jequieense. Mas eu sabia que essa era uma informação errada ou equívoca. Nascera, em 1936, no município de Jequié, era verdade. Como também era verdade que aquele meu nascimento dera-se no então distrito de Aiquara, mais precisamente na fazenda Santa Maria, que ficava situada próxima ao povoado de Pulga do Campo. Se toda essa complicação para se saber onde um cidadão brasileiro/baiano nascera fosse pouco, Aiquara emancipara-se durante a ditadura, época em que criava-se municípios – exclusivamente para dar mando a apadrinhados – cujo destino era viver de uma única arrecadação: aquela que vinha de um fundo federal criado para sustentar municípios que não se sustentavam. No caso, nas próprias pernas.

Em busca do lugar onde nasci, estive em Aiquara, o lugar continuava praticamente a mesmo de quando eu tinha dez, doze anos. Não mudara nada. Pacata, população escassa de boa gente trabalhadora. O mais era marasmo e silêncio.

Na época daquela visita, já sabia o significado da palavra Aiquara: Vinha do tupi – como sói ocorrer com muitos logradouros brasileiros – AI, que significava preguiça(1), o animal; QUARA, significava buraco, morada, o refúgio da preguiça. Macunaíma poderia ter nascido lá.

Quanto a Jequié(2), que eu também já sabia o significado, cuja forma correta, em tupi, seria Tikí-é, significava “o covo(3) de forma diversa, podia ser ainda uma palavra da língua dos Camacãs (que não eram tupis), Yaquié, para exprimir onça, cachorro”, isto na concepção de Sampaio. Já Falcão afirma que a palavra se formou pela junção de Jequi (covo) mais eé (arrastar), significando “covo de arrasto” (armadilha de arrasto?) ou “rio do covo”. Podendo ser ainda, como segunda opção, “covo diferente, que não é como os demais”.

Tudo isso é dito em uma tentativa de explicar minha resistência em averiguar o significado de soteropolitano, uma vez que era oficialmente jequieense, embora a fazenda onde nascera ficasse no distrito de Aiquara, próxima ao povoado de Pulga do Campo, o que me fazia um cidadão pulgacampense (ou algo similar), mais precisamente nascido em um município que não existia no ano em que nascera. O pior de tudo era que também o minúsculo povoado de Pulga do Campo tampouco existia. Já estava pensando que era um cidadão fantasma – temendo que a terrível, e temível, (com os mais pobres) Receita Federal, descobrisse essa situação e visse nela dolosas intenções minhas.

Estava vivendo esse crucial dilema, participando de uma reunião da Secção Baiana da União Brasileira dos Escritores (UBE/BA), quando conheci a brilhante escritora patrícia, Miriam de Sales. Uma mulher muito simpática, que fala pelos cotovelos, porém não cansa porque fala bem e sabe o que fala e do que fala. Ouvia-a, hipnotizado, como de resto toda a plateia, quando ela disse que sabia o significado de soteropolitano.

Na ocasião, ainda extasiado com a magia da fala de Miriam, senti inibição em perguntar qual. Justifiquei, em pensamento, que não o fazia por pura preguiça (afinal estava relacionado com aquele tipo de animal e de sua casa), porque soteropolitano só podia vir do grego ou do latim – disse-me.

Voltei para Valença, onde moro, magnetizado com o feitiço de Miriam e com o bendito soteropolitano na cabeça. O tempo passou e ontem (29/6/2011, dia de São Pedro e das Viúvas, como realçava a Miriam em seu livro “A Bahia de Outrora”), tomei coragem e perguntei-lhe diretamente. E ela, que adepta do uso constante da Internet, passou-me algo que chamo gancho (mas ela chama link: http://abahiadeoutrora.blogspot.com/2010/07/ficha-tecnica-do-livro.html), onde pude ler o que se segue: “Nós baianos somos xingados de soteropolitanos como dizia o irreverente Jorge Amado. E, muitos baianos desconhecem porque somos chamados assim. Graças à bibliotecária Genilda, da ABL, estudiosa das coisas da Bahia, descobrimos. Soteropolitano(4) vem de SOTERO: SALVADOR; POLI: CIDADE; TANO: NATURAL. Entendeu? Natural da cidade do Salvador, com muito orgulho.

“Como nós, baianos, somos “diferentes” e reverenciamos a cultura clássica, nosso gentílico tinha que vir do grego, pois Soterópolis é Cidade do Salvador, nesta língua.

“Soterópolis era uma cidade grega, erigida em honra de Sotero, imperador, cuja palavra, em grego, significa Salvador.”

₢ Araken Vaz Galvão

sábado, 28 de maio de 2011

"Meu Bebê"

Bonecas são idealizadas, produzidas e compradas com o intuito de servirem de brinquedo a milhares e milhares de crianças. Por isso quando se pensa nelas, é habitual vir à tona (aflorar) sentimentos aprazíveis, puros, inocentes, relacionados a crianças. Mais especificamente, a meninas.

É notório que bonecas são seres inanimados. Contudo, quando são adquiridas e presenteadas passam a pertencer a alguém. Elas conquistam identidade e vida. Vida de boneca, não obstante, vida. Recebem carinho e, no âmbito da fantasia, também retribuem. Todavia as bonecas, apesar de todo cuidado e atenção que lhes são dispensados, quase sempre são descartadas. As formas são diversas: pelo processo caridoso de doação; pelo esquecimento em um baú qualquer; ou simplesmente são jogadas no lixo. Quando elas passam por esse processo de descarte, algumas razões precedem o ato. Pode-se estar diante de novas aquisições (mais bonitas, mais modernas, mais eficientes); a dona cresceu e não se interessa mais por esses seres; e, em situações menos corriqueiras, a mãe, mergulhada por uma inconsolável perda da filha, desfaz-se desses seres que provocam lembranças diluídas em lágrimas.

Pois é. Onde é mesmo que bonecas deveriam permanecer? Se pudesse, suspenderia a seqüência desse texto para que você, leitor, formulasse suas respostas. Pretensiosamente, posso tentar adivinhá-las, mas vou sugerir uma: no lixo. Isso mesmo! No lixo.

Bonecas recolhidas pelo caminhão do lixo têm o fado comum a tudo que não é mais útil a alguém: um lixão. Nesse lugar, pessoas possuem o hábito de garimpar coisas que possam ser úteis para o próprio uso, ou para uma eventual venda. Nunca tive notícia ou conhecimento de que alguém “catasse” algo no lixo para expô-lo no próprio veículo de coleta. Perguntas? À vontade, leitor.

Pois assim foi. Certamente imatura ideia de algum funcionário da limpeza pública que, muito provavelmente, não tem filhos, ou melhor, filhas (hipótese).

Três bonecas, do tipo “Meu Bebê,” foram escolhidas para a peça. Estavam sem roupas, sujas, porém inteiras. Poderiam ter sido completamente recicladas, mas não foram. Ao invés, as três tiveram um destino mais, muito mais do que esquisito. Excêntrico, estrambótico são termos que se amoldam mais à ocasião. Elas passaram a assumir um papel que não é apropriado a um brinquedo, muito menos a uma boneca que, simbolicamente, representa figura feminina. Como tal não deveriam estar naquelas posições onde se encontravam.

É muito provável que os autores da bisarrice não tenham tido a intenção de afrontar ninguém com o despropósito da exposição, mas o fato é que lá estavam as três bonecas. A primeira encontrava-se enganchada (como se estivesse sentada) na frente do caminhão de coleta do lixo urbano. Era algo semelhante a um carro abre-alas, reduzido à frente do caminhão. Desprovida de vestido, braços abertos, como a pedir um abraço que se perdeu com o seu abandono, lá se encontrava a boneca sem nome. O vento, provocado pelo deslocamento do carro, fazia com que ela oscilasse para lá, e para cá; pra trás e pra frente; era uma “boneca-criança” em extremo perigo, obrigada a fazer um “tour” inusitado pela cidade de Valença.

À segunda e terceira personagens, também retiradas do entulho, foram destinados lugares um grau acima do não usual: macabro mesmo. Elas estavam presas a uma corda, ou cordão (não dava para distinguir perfeitamente) e pendiam na parte superior, à direita e à esquerda da carroceria da caçamba. Eram idênticas à outra. Diria mesmo que eram trigêmeas. Assemelhavam-se em tamanho, modelo, grau de conservação e destino. A corda presa ao pescoço frágil dos brinquedos e os movimentos bruscos e desconexos impunham às bonecas uma aparência de alguém que sofrera o processo de enforcamento e foi posto à exposição pública. Exposição ambulante, constrangedora, deplorável.

Triste saber que episódios como esses possam ocorrer sem causar nenhum impacto. No entanto, elas fizeram parte de uma cena de um teatro insólito, macabro, promovido e patrocinado pelos caminhões da limpeza pública de uma cidade cuja platéia (só para dar o tom de confirmação) se olhou, não viu; se viu, não esboçou reação: nem vaias, nem insultos, nem aplausos.

Mas quem era mesmo a plateia?


                                           Maria Raimunda Almeida Silva

segunda-feira, 9 de maio de 2011

Olá!
Convidamos para o Projeto Uma Prosa Sobre Versos, com os poetas Elder Oliveira e João de Moraes Filho.
Momento musical com Elder Oliveira e recitais com os grupos Concriz e Renascer.
Sua presentça será muito importante para nós.
Edmar Vieira e Equipe
Maracás - BA