quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Correspondência recebida

Neste final de ano recebemos, além de gentis felicitações das mais variadas, convites e participações. Evandro Gomes Brito, da Academia de Letras de Vitória da Conquista, enviou-nos um soneto relacionando com I Primeiro Encontro de Academias, realizado em Valença, BA; Adilson Gomes, da Academia de Letras de Jequié, enviou-nos a revista Cotoxó; Dario Cotrim, residente em Montes Claros, MG, que nos visitou como representante das Academias de Letras de Guanambi e de Caetité, mandou-nos um convite para as festividades da posse de novos membros do Instituto Histórico e Geográfico daquela cidade mineira. Recebemos ainda convites para exposições, apresentações de peças, além de votos de Boas Festas, entre eles o convite para exposição Entre Corpo e Cosmo: Uma Poética do Fazer. Local: Galeria Jayme Fygura, Teatro Gamboa Nova. Para o lançamento do livro Cascalho de Herberto Sales (da Academia Brasileira de Letras) e do filme (DVD) Cascalho de Tuna Espinheira, no Café Terrasse (Aliança Francesa de Salvador). O MAM DESEJA UM FELIZ 2011. A Editora UNESP também nos deseja-nos Boas Festas.

Do exterior recebemos de Rene Aguillera, organizador do Encontro Internacional de Escritores, na Bolívia, além dos votos de Boas Festas, o convite para participar do IV Encontro no próximo ano. Ainda do exterior, recebemos votos de Boas Festas de Carmen Liz, da República Dominicana; de Laura Margarita, da Colômbia; de Marisol Briones, de El Salvador, de Gloria Dávila Espinoza, do Peru; de Madrid, de Antonio Porpetta, que nos manda também o endereço do seu blog: http://antonioporpettablog.blogspot.com

Se algum outro que recebemos, não o registramos, pedimos desculpas, pois agora é que estamos nos organizando.

domingo, 26 de dezembro de 2010

I Encontro de Academias da Bahia

Durante o I Encontro de Academias de Letras, em Valença, realizado entre os dias 10,11, e 12 de dezembro de 2010, por unanimidade e aclamação, foram tomadas algumas decisões importantes, a saber, criação de um Fórum Permanente de Academias, cuja missão será, além de organizar o II Encontro – que será em Ilhéus – em data ainda a ser definida, mas entre setembro e outubro de 2011, as de coordenar as demais academias para uma melhor participação na política cultural do Estado.


Para presidente do Fórum Permanente foi escolhido a acadêmico Araken Vaz Galvão, da Academia de Valença, idealizador daquele Encontro, o qual convidou para Vice-Presidente o representante da Academia de Ilhéus, João Pawlo Couto Santos da Academia de Ilhéus e para Secretário-Geral Adilson Gomes dos Santos, da Academia de Jequié, tendo sido os dois nomes aprovados também por unanimidade e aplausos.

O mais importante, porém, foi a aprovação da Carta de Valença, com indicações e sugestões sobre o porvir do quefazer cultural na Bahia.

Vejamos o texto integral da Carta de Valença:

Carta de Valença






Reunidos nesta cidade, aos dias 10, 11 e 12 de dezembro de 2010 – com a presença do representante do Senhor Governador do Estado, Jaques Wagner, o senhor secretário de Cultura, Márcio Meirelles. E com a presença também do diretor da Fundação Pedro Calmon, professor Ubiratan Castro de Araújo e do representante do prefeito da cidade, professor Edvaldo Borges, tendo como anfitriã, a Academia Valenciana de Educação, Letras e Artes (AVELA), e como convidados especiais os representantes das Academias de Letras do Estado: Academia de Letras da Bahia (Salvador), Feira de Santana, Caetité, Ilhéus, Irecê, Vitória da Conquista, Jequié, Recôncavo, Euclides da Cunha, Maracás, de Jacobina, Brumado, Guanambi, Belo Campo e Academia Giordano Bruno (Vitória da Conquista) – decidiram, por unanimidade, redefinir o papel das Academias do Estado, uma vez que acreditamos que todas as Academias são iguais e possuem os mesmos objetivos, por isso buscamos dar um maior destaque na implementação da política cultural do Estado da Bahia, seja como parceiras do poder público local, estadual e federal, seja por iniciativa própria, mesmo que, para isso, passem a se transformar em pólos irradiadores de cultura – compreendida como tal as artes em geral, sejam as consideradas populares ou as mais eruditas, que expressam o quefazer lúdico e estético da alma do nosso povo –, uma vez que acreditamos que será sempre através da cultura que se consolidará a grandeza da nossa Pátria.

Isso dito, e por várias outras razões pleiteiam a criação de um Fórum Permanente de Academias do Estado da Bahia com vista à implementação desses objetivos:



I – Discutir o papel do escritor baiano dentro da política cultural do Estado;

II – Criar um mercado editorial na Bahia;

III – Definir uma política de apoio ao autor independente;

IV – Estabelecer uma política de apoio ao autor iniciante;

V – Subvencionar, por meio de editais e/ou convênios, a realização anual de 5 (cinco) Feiras Regionais de Literatura;

VI – Pleitear a criação de Prêmio Literário para o Escritor de todos os municípios abrangendo várias categorias da criação;

VII – Pleitear a adoção obrigatória da produção literária baiana nas escolas de ensino;

VIII – Ampliar as políticas de interiorização por meio de editais de fomento à publicação de obras nos municípios, através do aval de comissões formadas pelas Academias de Letras;

IX – Indicar curador baiano para a Bienal do Livro da Bahia, valorizando a produção literária do Estado;

X – Criar políticas de fomento e fortalecimento, via incentivos fiscais, de editoras e distribuidoras do Estado na publicação de autores baianos;

XI – Incentivar à promoção do contato do público com o escritor (saraus, encontros literários, leituras públicas, seminários, oficinas etc.), via editais ou convênios com as Academias de Letras da Bahia;

XII – Alterar Lei do Governo do Estado que permita a participação de servidores do Estado, com exceção de servidores lotados na Secretaria de Cultura e da Fazenda, dos editais e mecanismos de financiamento da Secretaria da Cultura;

XIII – Realizar cursos para capacitação em elaboração de projetos específicos para a área da literatura;

XIV – Realizar convênios diretos entre a Secretaria de Cultura e as Academias de Letras para a manutenção, modernização da biblioteca, dos setores de memória e da programação destas instituições;

XV – Ampliar a abrangência dos municípios atendidos pelo edital do MINC de agentes de leitura;

XVI ¬– Ampliar a parceria das editoras universitárias com a comunidade literária, intermediada pelas Academias de Letras;

XVII – Criar um cadastro de escritores baianos a ser disponibilizado através de um site oficial que permita a divulgação dos autores baianos e o diálogo entre eles, com biografia e bibliografia;

XVIII – Apoiar à realização do II Encontro das Academias de Letras, em Ilhéus, ficando como candidatas a serem aprovadas para os próximos encontros as cidades de Belo Campo, Euclides da Cunha, Jequié, Feira de Santana e Vitória da Conquista;

XIX – Ampliar a quantidade de projetos contemplados nos editais da Secretaria de Cultura/Fundação Pedro Calmon para editoras de 3 para 10 projetos por ano;

XX – Incentivar a publicação de obras literárias e científicas de docentes do ensino público através de Editais;

XXI – Subsidiar as Academias de Letras para realizar cursos de profissionalização da cadeia produtiva do livro, qual seja, cursos de editores, agentes literários, produtores editoriais bem como a profissionalização de escritores, por meio de cursos de criação literária.



Valença, Bahia, 12 de dezembro de 2010.



E por assim estarem de pleno acordo, por ordem alfabética, aprovam por unanimidade e aclamação:



1 – Academia de Letras da Bahia;

2 – Academia de Letras e Artes de Brumado;

3 – Academia de Letras de Belo Campo;

4 – Academia de Letras de Caetité

5 – Academia de Letras de Euclides da Cunha;

6 – Academia de Letras de Feira de Santana;

7 – Academia de Letras Giordano Bruno (Vitória da Conquista);

8 – Academia de Letras de Guanambi;

9 – Academia de Letras de Ilhéus;

10 – Academia de Letras de Irecê;

11 – Academia de Letras de Jacobina;

12 – Academia de Letras de Jequié;

13 – Academia de Letras e Artes de Maracás;

14 – Academia de Letras do Recôncavo;

15 – Academia Valenciana de Educação, Letras e Artes;

16 – Academia de Letras de Vitória da Conquista.

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

Experiência, Sabedoria e Cansaço - Para Karine

Nesses últimos tempos, quando sinto de forma mais acentuada o chamado peso dos anos e por isso, quiçá, tenho pensado muito na juventude, no que ela significa ou significou para mim. Talvez pela certeza de que a morte se aproxima, e se aproxima rápido, essa figura fagueira – nem sempre valorizada em seu devido tempo, mas muito idealizada depois que a perdemos – não me abandona nessa fase outonal de minha vida. Um psicólogo amador diria que penso nela, a morte, com certa constância morbígena. É possível até que alguns amigos diletos pensem dessa forma. Um psicólogo amador, e cruel, desses que exercem sua sapiência nos bares de todas as cidades, di-lo-á que no fundo, no fundo, ao falar da morte com tanta constância faço-o como uma maneira sutil de mendigar compaixão, essa forma calhorda de desejar compartir com outrens seus supostos sofrimentos. Ou seja, um jeito lamentável de desejar que sintam piedade por nos mesmos. Não chego a discordar completamente. Mas isso não vem ao caso, pelo menos não o vem neste preciso momento.


O que me interessa agora, nesse instante, é que, ao pensar na morte, fatalmente lembro-me da juventude perdida. Lembro-me das travessuras de criança, das brincadeiras de picula, boca de forno, chicotinho queimado. As primeiras fugidas de arco protetor da saia da mãe, as escapadas que iam abrangendo um círculo cada vez mais amplo – fugas fatais que nos leva a perder-nos no mundo –, até que nos vemos no âmbito de outros mundos, outras realidades. Lembro-me, particularmente, dos primeiros amores – lembrando-me das situações vividas, sem, contudo, chegar a lembrar-me, na maioria das vezes, das pessoas com quem as vivi. Nessas experiências estão fatalmente as primeiras descobertas relacionadas ao sexo. E, ao lembrar-me, chego a sentir no sangue aguado do velho que sou hoje o calor abrasador com que aquelas sensações percorriam as veias do jovem que fui, e bendigo o colesterol acumulado nas veias que não permite nenhuma aceleração mais perigosa da pulsação que poderia levar-me a um fatal – e não desejado – desenlace...

Ah!... As mulheres que amei... Como descobri a satisfação de fazê-las sofrer, em particular por minhas infidelidades. Como vivia aqueles momentos ofegantes, sentindo as palpitações resultantes das mentiras mal contadas, o remorso em provocar lágrimas de ciúmes em quem não merecia, mas que eu não podia evitar. Não foi por casualidade que o poeta popular cantou: “O amor só é bom se doer...” Principalmente quando dói nos outros.

Nada – isso penso hoje, no ocaso de vida – é mais grandioso, mais emocionante do que o amor vivido na juventude. Conquistar uma mulher, dizer-lhe “coisas bonitas”, vendo no seu semblante, também jovem, o impacto que aquelas “belas palavras” causavam. Você sabendo que tudo aquilo não passava de armadilhas, que não passava de frases vãs cujo objetivo único era a conquista e, com ela, a posse. Ela, a mulher que ouvia, sabendo o mesmo, só que desejando ardentemente que aquelas mentiras não o fossem... E se para você aqueles ardis significavam a confirmação da razão de ser de sua própria masculinidade; para ela, que te ouvia inebriada, acreditar em tudo de elogioso que você dizia era o nirvana da sua condição feminina.

C’est la vie, diria um conformista cínico, que gosta de citar expressões estrangeiras. E não deixará de ter razão. É possível até que o faça na ilusão de exibir conhecimentos que não possui, coisa que muitas vezes, na juventude, todos nos fazemos.

Quando um homem busca conquistar uma mulher – isso sei hoje –, não há muita variação do vocabulário, através dos tempos naquilo que se diz, o que é sempre diferente são os ouvidos – da possível conquistada – que ouve, ou talvez seja tão-somente a emoção a percorrer o sangue, provocado pelo milagre da audição ensaiando uma taquicardia dupla, isso é, dupla porque se realiza em duas pessoas: na que diz e na que ouve. Não descarto também que todas as palavras de amor, todos os ardis da conquista, sejam sempre as mesmas, apenas ditas por bocas diferentes e ouvidas por novos e inexperientes ouvidos, ávidos em acreditar nos engodos, nas astúcias, nas artimanhas. Em última instância, desejando que a ilusão e o sonho sejam a realidade.

Não quero dizer com isso que o amor seja um engano, as suas juras é que as são, em particular as de eternidade, do tipo: Nunca conheci uma mulher como você. Nunca uma mulher me impressionou tanto como você. Quantos milhões de vezes através dos séculos essa frase não já foi dita? Ademais, como seria possível se conhecer duas pessoas iguais? Na última frase está implícita a força dominante dos hormônios desejando extravasar.

E, no entanto, a todas essas conclusões chega-se com experiência – essa forma cruel de desengano –, quando já não se tem possibilidades de sonhar, de iludir-se com a mentira que o amor, ao dizê-lo torna a vida encantadora.

Fernando Pessoa disse: “Vivi, estudei, amei, e até cri,/ E hoje não há mendigo que eu não inveje só por não ser eu./ Olho a cada um os andrajos e as chagas e a mentira, E penso: talvez nunca vivesses nem estudasses nem amasses nem cresses/ (Porque é possível fazer a realidade de tudo isso sem fazer nada disso);/ Talvez tenhas existido apenas, como um lagarto a quem cortam o rabo/ E que é rabo para aquém do lagarto remexidamente.”

É, porém, na experiência que reside a fonte da sabedoria. E, por essa via, só posso chegar a conclusão que saber é igual a decepcionar-se. E decepcionar-se de forma inexorável, irremediável, completamente. E ao descobrir que saber representa algo tão cruel como a decepção, invejo o tempo em que era ignorante e, por tanto, pensava que era feliz.

Meditando sobre tudo isso sinto cansaço, corolário natural de quem viveu muito – quiçá demasiado –, adquiriu sabedoria justamente com a experiência de vida, para finalmente sentir cansaço e prostrar-se inerte, em uma tarde de verão, pensando na morte e lembrando-se da juventude perdida, enquanto sente a umidade da tristeza escorrer-lhe pelas faces envelhecidas.





Araken Vaz Galvão

Valença, BA, 21 de dezembro de 2010



terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Comentário sobre Amália Grimaldi

AMÁLIA GRIMALDI – QUANDO...


Dário Teixeira Cotrim

Academia Guanambiense de Letras

Academia Caetiteense de Letras



Quando da nossa visita na encantadora cidade de Valença, região da Costa do Dendê, no Recôncavo Baiano, tivemos a oportunidade de conhecer uma plêiade ilustre de escritores valencianos e de alhures. Foram momentos inesquecíveis. Uma cidade da época colonial, com os seus casarios antigos, e que representa, verdadeiramente, a nossa Bahia dos primeiros tempos do século XVIII. Valença é linda! Valença é misteriosa!



Dentre os escritores/poetas presentes no I Encontro Estadual de Academias de Letras da Bahia, tivemos o prazer de conhecer a confreira Amália Grimaldi. Uma mulher de visão. Artista plástica e poeta, autora do livro “Quando...” que, segundo ela própria, são poemas que falam de uma trajetória de vida, com sentimentos e lembranças sobre os “lugares de onde vim e por onde passei e passarei”. O livro “Quando...” ainda traz no seu esboço - além dos seus belíssimos poemas - sinais, riscos e rabiscos que traduzem alegrias, saudades e uma vontade imensa de voltar no tempo. Quando a magia é “Quando...”!



Nota-se que são poemas com linguagem direta. Com frases isoladas e palavras soltas numa arrumação própria da própria autora no recôndito do tempo em que ela colecionava as suas doces reminiscências. Para cada poema uma ilustração, ora com aspecto infantil, ora com tendência marginal. Entretanto, com a representação da mais alta significação artística e literária da poesia. A leitura dos poemas de “Quando...” nos convida para uma viagem além dos limites da nossa Valença. Extrapola a nossa imaginação. Ultrapassa os nossos sonhos. A literatura de Amália Grimaldi, assim como a de todos os poetas baianos, confunde-se com a literatura herdada do grande poeta Castro Alves. É assim porque a escola baiana de letras, venera com justa justiça, a criação literária daquele “gondoleiro do amor” que foi o mais completo poeta brasileiro, quiçá do universo.



Cada poema do livro “Quando...” é um encontro com o desconhecido. Por outro lado, podemos dizer ainda que Amália Grimaldi, de quando em quando, formulava questionamentos sobre o conceito social do povo brasileiro. Falava dos índios maluaré que ela conheceu em Santa Isabel do Morro (Ilha do Bananal) e do vasto mundo por onde percorreu numa boa e longa temporada. Além de tudo isso, a autora teve o cuidado de montar um álbum fotográfico nas páginas finais do livro.



Durante o I Encontro Estadual de Academias de Letras da Bahia, organizado pela Academia Valenciana de Educação, Letras e Artes e pela Fundação Pedro Calmon, notamos da necessidade desse momento literário para os novos autores baianos. Somente a promoção do encontro de escritores já justificava o evento. Os lançamentos de livros e as palestras com temas afins à literatura foram os momentos mais significativos do encontro. Entretanto, a cortesia e a generosidade dos autores com a permuta de livros, estas promovem laços mais estreitos entre os acadêmicos e contribuem para a melhoria das letras em nosso Estado. Aliás, é exatamente por isso que hoje temos o prazer e a alegria de ler o belíssimo livro “Quando...”, de nossa confreira Amália Grimaldi. Parabéns!